01/07/2021 às 14h01min - Atualizada em 01/07/2021 às 14h01min

Amazônia tem o maior número de focos de queimadas dos últimos 14 anos para mês de junho

Na comparação entre maio e junho deste ano, houve um aumento de 98% nos focos de queimadas no bioma de um mês para o outro, segundo dados do Inpe. Apesar disso, a temporada do fogo ainda não começou.

Laís Modelli
G1
Incêndios na Amazônia se intensificaram nos últimos dois anos — Foto: Reuters
A Amazônia teve 2.308 focos de calor em junho, segundo o Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe). Este é o maior número de queimadas desde 2007 para o mesmo mês comparado com dos anos anteriores. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (1º).
 
Junho de 2020 já havia registrado o recorde histórico em focos de calor para o mesmo mês, mas os registros em junho deste ano foram ainda maiores, representando um aumento de 2,6%.
Veja o aumento consecutivo do registro de fogo na Amazônia para o mês de junho desde 2019:
  • Junho de 2019: 1.880 focos de calor
  • Junho de 2020: 2.248 focos de calor
  • Junho de 2021: 2.308 focos de calor
 
Os dados do Inpe mostram que a situação já preocupa na Amazônia antes mesmo do início da temporada do fogo, que se inicia em agosto de cada ano e dura cerca de quatro meses.
 
Maio já havia sido um mês de recorde de fogo: os satélites do Inpe registraram 1.166 focos, um aumento de 49% do que o registrado em maio de 2020. O número em maio deste ano também foi 34,5% superior à média histórica do mês.
 
Porém, na comparação entre maio e junho deste ano, o aumento nos focos de queimadas em junho foi de 98% de um mês para o outro.  
Os dados do Inpe também mostram os focos de incêndio no Cerrado para junho. Foram registrados 4.181 focos no mês, quase dois mil focos a mais do que o registrado na Amazônia. O fogo no Cerrado em junho também foi 58% maior em relação a maio, quando o Inpe detectou 2.649 focos de calor no bioma.
 
O Greenpeace Brasil relacionou as queimadas com o desmatamento e as mudanças climáticas. A organização lembrou ainda que a queima de florestas e outras vegetações nativas é a principal fonte de emissão de gases de efeito estufa no Brasil.
 
“Estamos vivendo um momento muito triste para a floresta e seus povos. Eles estão sendo atacados por todos os lados, seja pelos desmatadores, grileiros, madeireiros e garimpeiros que avançam sobre a floresta ou territórios, seja por meio do Congresso e do Poder Executivo que, não só não combatem esses crimes e danos ambientais, como os estimulam, seja por atos ou omissões”, disse Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.
 
Na terça-feira, o governo federal publicou um decreto com validade imediata suspendendo por 120 dias o uso de fogo no território nacional, conforme o previsto no decreto 2.661, de 1998, que trata de práticas agropastoris e florestais.  
O Greenpeace afirma, contudo, que apenas medidas como essa não são capazes de coibir o fogo na Amazônia, uma vez o governo federal publicou o mesmo decreto no ano passado e, no entanto, os focos de incêndio em 2020 foram 15% maior do que os registrados em 2019.
 
500 mil campos de futebol na mira do fogo
Um levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e do Woodwell Climate Research publicado nesta quarta-feira (30) mostrou que uma área de 5 mil quilômetros quadrados desmatados na Amazônia, correspondente a 500 mil campos de futebol ou quatro vezes a cidade de São Paulo, está sob risco de queimada na temporada do fogo de 2021.
 
Segundo os pesquisadores, as áreas desmatadas e ainda não queimadas desde 2019 e uma seca intensa provocada pelo fenômeno La Niña indicam atenção especial para a ocorrência do fogo na Amazônia especialmente no sul da região.
 
"Há quase 5 mil quilômetros quadrados de área, quase quatro vezes o município de São Paulo, com vegetação derrubada e seca só esperando alguém chegar com o fogo. A queimada, nesse caso, é a última etapa do desmatamento, a forma mais barata e rápida de limpar o terreno para seu uso posterior", diz o levantamento.
Mais de um terço dessa região sob risco está concentrado em apenas dez municípios de quatro estados: Amazonas, Mato Grosso, Pará e Rondônia.
   
O levantamento também esclarece que o fogo na Amazônia não é natural, mas provocado, principalmente, pelo desmatamento da floresta, e piorado pelas mudanças climáticas.
 
 
"Quando as florestas são cortadas, as árvores e os galhos mortos são empilhados para secar, completando o ciclo do desmatamento. Esse fogo, de grande intensidade, pode escapar para florestas e, se combinado a condições secas, causar grandes danos. Tais condições têm se tornado mais frequentes como resultado da combinação dos efeitos locais do desmatamento com as mudanças climáticas globais", diz o documento.
 
Moratória do fogo
 
Apesar da suspensão do fogo em território nacional por 120 dias, o decreto da terça-feira permite uso do fogo nas seguintes hipóteses:
  • práticas de prevenção e combate a incêndios realizadas ou supervisionadas pelas instituições públicas responsáveis pela prevenção e pelo combate aos incêndios florestais no País;
  • práticas agrícolas de subsistência executadas pelas populações tradicionais e indígenas;
  • atividades de pesquisa científica realizadas por Instituição Científica, Tecnológica e de Inovação - ICT, desde que autorizadas pelo órgão ambiental competente;
  • controle fitossanitário, desde que autorizado pelo órgão ambiental competente;
  • queimas controladas imprescindíveis à realização de práticas agrícolas e autorizadas por autoridade ambiental estadual ou distrital, em áreas não localizadas nos biomas Amazônia e Pantanal.
 
Em 2020, a região teve mais de 100 mil focos de queimadas registrados pelo Inpe, o maior em uma década. Em 2019, também houve aumento das queimadas e o número de focos de calor registrados foi 30% maior do que em 2018.
   
Contudo, em agosto de 2020, o Ministério do Meio Ambiente chegou a suspender todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e às queimadas no Pantanal. Outras paralisações dos brigadistas se seguiram, mesmo dados do Inpe mostrando que o número de focos de incêndio registrados na Amazônia de janeiro a setembro já era o maior desde 2010.
 
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