25/07/2021 às 09h00min - Atualizada em 25/07/2021 às 09h00min

Incêndios causam prejuízos em lavouras de MT e produtores mudam horário de colheita

Produtores rurais mudam horário de colheita para evitar incêndios.

Por Ianara Garcia, TV Centro América
G1 MT
Mato Grosso enfrenta riscos de incêndio na colheita do milho

Agricultores de Mato Grosso estão mudando o horário da colheita nas lavouras para escapar do sol forte e evitar incêndios. As queimadas já causaram grande prejuízo em plantações de milho este ano. Em uma única lavoura, 600 toneladas viraram cinzas.


A fumaça chamou a atenção de longe. Os vizinhos correram para ajudar. Em uma fazenda em Tapurah, no, um incêndio queimou 200 hectares de milho e destruiu um trator usado para apagar o fogo.


“Olha o prejuízo, trator aí grande. Tentar apagar fogo no milho em pé. Quando sopra o vento forte é problema”, relatou um produtor em um vídeo.


A cena se repete em vários municípios do estado.


"Que dificuldade, que desespero. Vou agora com tanque d'água tentar apagar o fogo", lamentou outro produtor.


Com poucas chuvas no verão, o plantio do milho atrasou. Faltou água para o desenvolvimento da planta, causando queda na produtividade. Agora, na estação seca, com ventos fortes e temperaturas muito altas, a colheita é realizada sob forte risco de incêndios. A colheita do produtor rural Cleverson Bertamoni teve que parar por causa de um vazamento de óleo.


“Foi na parte quente do motor e o operador experiente conseguiu sentir o cheiro de fumaça pelo ar-condicionado da máquina, né? Qualquer faísca de um escapamento, qualquer coisa, um óleo quente que está ali, já pode provocar um incêndio”, explicou.


A precaução não é à toa. Uma semana antes, um incêndio acabou com 100 hectares de milho de Cleverson.


"Olha quanta espiga de milho aí, meu Deus do céu, olha! Tudo isso amarelo é milho no chão”, disse em vídeo.


Lá foram perdidos pelo menos 600 mil quilos de milho. Considerando que o preço atual na região está em média R$ 70 a saca de 60 quilos, o prejuízo ultrapassa R$ 700 mil. Mas o incêndio na lavoura não afeta só a produção de agora.


“A gente pratica o plantio direto. A gente colhe e só extrai mesmo o grão, e o restante todo volta para o solo. Essa palhada é preciosa, conserva a umidade, é uma riqueza sem tamanho para o produto. Perdendo isso, fica complicado o plantio da soja lá na frente, em janeiro. Você está num solo que não tem cobertura nenhuma, fica à mercê do sol, né?”, contou Cleverson.


Vizinho do Cleverson, o produtor Alduir Cenedese também teve parte da palhada atingida.


serviço de 27 anos que vinha fazendo. e eu acredito que de 8 a 10 anos pra eu recuperar, muito micoorganismo que é benéfico pro solo foram embora, morreram.


“Serviço de 27 anos que vinha fazendo. E eu acredito que dê oito a dez anos para eu recuperar. Muito micro-organismo que é benéfico para o solo foram embora, morreram”, relata.


Para reduzir os riscos, os produtores priorizam a colheita em horários de temperaturas mais amenas e seguem até tarde da noite.


“A temperatura cai abaixo de 30%. Você sabe que nós estamos aqui numa pólvora, né? Não pode nem pensar falar em fogo que está pegando. Então, a gente evita esse tipo de risco. O prejuízo é grande quando acontece isso aí”, falou Alduir.




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