03/08/2021 às 08h40min - Atualizada em 03/08/2021 às 08h40min

Salas vão funcionar como 'bolhas' no retorno das aulas presenciais em MT e especialista fala sobre adaptação: 'mudanças que geram apreensão'

Quando algum profissional ou aluno de uma das bolhas apresentar sintomas, contrair o vírus ou estiver em contato com alguém infectado, toda a bolha deverá entrar em quarentena

Por Kethlyn Moraes, G1 MT
Retorno das aulas nas escolas estaduais será no sistema híbrido — Foto: David Borges/Secom-MT
As aulas presenciais voltam nas escolas estaduais nesta terça-feira (3) em Mato Grosso. Com o retorno no sistema híbrido, os estudantes e familiares terão que se adaptar à nova rotina – ou, no caso, se readaptar.

Os alunos estão sem ir às escolas desde março do ano passado, com o início da pandemia no estado. Desde a suspensão das aulas, o ensino vem acontecendo de forma remota.

Neste retorno, novos protocolos deverão ser obedecidos. Em casos suspeitos ou confirmados de Covid-19 de profissionais ou estudantes que estejam frequentando as escolas estaduais, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) explica que as turmas vão funcionar com 50% da capacidade da sala de aula e cada uma será considerada uma ‘bolha de relacionamento’.

Quando algum profissional ou aluno de uma das bolhas apresentar sintomas, contrair o vírus ou estiver em contato com alguém infectado, toda a bolha deverá entrar em quarentena pelo período recomendado nos protocolos vigentes (14 dias).

As demais turmas (bolhas) deverão manter as atividades presenciais, tomando as precauções de biossegurança já estabelecidas.
Os protocolos de biossegurança estabelecem desde como deve ocorrer a limpeza de cada espaço da unidade escolar, a forma de revezamento dos estudantes, a organização nas salas de aula, ocupação de espaços externos, até as ações a serem adotadas em casos suspeitos e confirmados de Covid-19.
Há orientações específicas de quem não pode frequentar o ambiente escolar e de isolamento nos casos que os sintomas iniciarem dentro da escola.
Com essas mudanças, a psicóloga Joselita Alcântara explica que a apreensão toma conta das famílias.
 
"Está havendo medo, insegurança, em todos os envolvidos: o aluno, a família, a escola. Isso é natural, afinal viemos de um período muito extenso e perigoso nessa pandemia. Depois desse longo período, estamos retornando as aulas com uma 'disciplina' a mais, que é o cuidado com a saúde, a prevenção para não se contaminar. São mudanças que geram apreensão, mas que todos devem se adaptar", diz.
Apesar dessa insegurança, a especialista fala sobre a importância do ambiente escolar.
“A criança e o adolescente necessitam da aprendizagem escolar. Por mais que o ensino remoto possa ter ajudado alguns, prejudicou a maioria, falando da questão psicopedagógica. Muitos sem internet, sem estrutura para o aprendizado, os professores tendo que adequar os conteúdos em aulas menores”, diz.
Além disso, ela acrescenta a influência do retorno no desenvolvimento social do aluno.
 
"O ser humano é naturalmente social. Ele precisa desse convívio. A criança, o adolescente, está em formação, e é nesse contato social que ele vai se desenvolver também como ser humano", defende.
Sobre a defasagem do aprendizado do aluno durante a pandemia, o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, explica que há um projeto de aulas de reforço para recuperação.
“É um laboratório de aprendizagem que já está no nosso planejamento. Serão aulas no contraturno, em que serão chamados os professores articuladores, para recuperarmos a aprendizagem dos nossos estudantes. Inclusive, neste ano, estamos em um ano contínuo. Dentro do ano letivo há 800 horas de carga horária. Neste ano, serão mais de mil horas de aula justamente para a recuperação da aprendizagem”, afirma Porto.
Além disso, a Seduc informa que será feita uma avaliação diagnóstica dos estudantes três vezes ao ano para dados concretos da aprendizagem, material paradidático complementar de estimulação da consciência fonológica, educação financeira e socioemocional, entre outros projetos.
O secretário também afirma que há mais de seis meses o governo estadual planeja e estrutura as escolas estaduais para o retorno híbrido. Segundo Alan, já foram investidos mais de R$ 170 milhões em infraestrutura, biossegurança, além das áreas pedagógica e tecnológica.
Ele explica que, além disso, há um plano de contingência, elaborado junto com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), com todas as orientações necessárias.
“A ciência já provou que o ambiente escolar é seguro. Hoje, os profissionais da educação já receberam a primeira dose da vacina, o que já traz uma imunização satisfatória, mesmo se ele for diagnosticado, será com sintomas leves, então estamos tranquilos quanto a isso. Além disso, a segunda dose desses profissionais já está agendada para agosto e setembro. O monitoramento será muito forte, para acompanhar e avaliar um retorno seguro”, diz.
 

Revezamento dos estudantes

O acolhimento aos estudantes começa na quarta-feira (4), em revezamento elaborado por cada unidade escolar.
Na primeira semana, os alunos serão recebidos em dias alternados. Eles foram divididos em Grupo A e Grupo B. A divisão foi feita por cada unidade escolar, responsável pela comunicação aos pais.
Na quarta-feira (4) vão para as escolas os estudantes do Grupo A. Na quinta-feira (5) será a vez dos estudantes do Grupo B. Nestes dois dias eles vão receber todas as orientações de como será o funcionamento das escolas e todas as medidas de biossegurança adotadas e que precisam ser rigorosamente cumpridas.
A partir do dia 9 de agosto começa o revezamento semanal. Na semana que o estudante não estiver em atividade presencial, terá estudo dirigido.
Sobre essas mudanças, Joselita afirma que será preciso uma segunda adaptação, como aconteceu no início da pandemia.
“No início da pandemia, quando todas as escolas foram fechadas, com aulas remotas, uns com uma melhor internet, outros totalmente prejudicados, gerou-se um transtorno, uma dificuldade. Aos poucos, o aluno, a família e a escola tiveram que se adequar. Da mesma forma, agora será preciso uma readaptação. Isso vai gerar um certo transtorno inicial, porém necessário. Porque essa é, de fato, a realidade”, diz.
 

Organização das salas de aula

Dentro da sala de aula é obrigatório manter o distanciamento social de 1,5 metro. As carteiras e mesas estarão organizadas em uma mesma direção.
Em caso de salas com metragem inferior a 48 m² que possuam mais de 32 estudantes matriculados, ou turmas em que a metragem da sala não permita divisão em apenas dois grupos, será necessário realizar a divisão da turma em três grupos.
 

Uso das áreas externas e intervalo entre as aulas

Considerando que os grupos estarão com um número menor de estudantes por sala de aula, também poderão ser utilizados outros espaços, como quadras poliesportivas, pátios ou áreas de lazer, de modo que as medidas de biossegurança sejam respeitadas.
As equipes gestoras foram orientadas a planejar momentos de intervalo e lanche diferentes, com áreas de circulação demarcadas, para facilitar a limpeza e evitar aglomeração.
 

O retorno dos profissionais da educação é obrigatório?

Os profissionais da educação já desenvolvem as atividades presenciais nas escolas estaduais desde maio deste ano, de acordo com a Portaria 333/2021, publicada no Diário Oficial do Estado do dia 17 de maio. Com o retorno das aulas na modalidade híbrida, eles passam a acolher os estudantes.
Nos casos de professores, técnicos e apoios administrativos que estejam em teletrabalho e, por motivo de saúde não possam retornar no dia 3 de agosto, a unidade escolar deve solicitar a substituição.
 

O retorno do estudante é obrigatório?

Caso os pais decidam mantê-lo em atividade 100% remota, a escola irá comunicar um termo de responsabilidade, formalizando comprometimento dos familiares em retirar e devolver as atividades no período estipulado pela escola, além de acompanhar a rotina de estudos; apoiar e incentivar o estudante na realização das avaliações; incentivar a participação nos simulados, para estudante matriculado no ensino médio; incentivar a participação no concurso de redação, para estudante matriculado no 3º ano do ensino médio.
Em caso de atividades que o estudante não consiga desenvolver, deverá ser registrada por este uma observação para o professor. Roteiros de atividades serão encaminhados para os estudantes.
 

Alunos com comorbidades

Quanto aos estudantes com comorbidades, a orientação da Seduc é que continuem em atividades 100% remotas neste primeiro momento. Mas a participação presencial poderá ocorrer desde que o responsável assine um termo de autorização na unidade escolar.
 

Educação especial

As aulas no sistema híbrido também voltam para a educação especial. Isso porque o atendimento ao qual a pessoa com deficiência tem direito é o mesmo a todos os demais estudantes do sistema estadual de ensino.
Quanto à organização de atendimento nas turmas, o público-alvo da Educação Especial incluso na escola regular seguirá as regras gerais de revezamento. Enquanto que as escolas especializadas estabelecerão regras próprias pertinentes as suas condições específicas de atuação e funcionamento acompanhadas pela Coordenadoria de Educação Especial.
De acordo com a lei federal n° 14.019/2020, não é obrigatório o uso de máscaras no caso de pessoa com transtorno do espectro autista, com deficiência intelectual, com deficiências sensoriais ou com quaisquer outras deficiências que as impeçam de fazer o uso adequado de máscara de proteção facial.
 

Testagem dos profissionais e estudantes

Em caso suspeito de Covid-19, a pessoa deve ser encaminhada imediatamente para a rede pública de saúde para testagem. No caso de profissionais da educação de Cuiabá e Várzea Grande, a orientação é que procurem o Centro de Triagem da Arena Pantanal ou o Hospital Estadual Santa Casa.
 

Equipamentos de proteção

O governo estadual repassou R$ 3,6 milhões a todas as escolas da rede estadual, apenas para a compra de materiais de biossegurança - como máscaras, álcool em gel, protetores faciais -, e para aquisição de produtos de higienização e sanitização. Todas as unidades já possuem estes materiais disponíveis.
Entendendo que a necessidade de recursos para manter a biossegurança nas escolas será a longo prazo, o governo aumentou em 47% os repasses para o Programa de Desenvolvimento da Escola (PDE).
Estes recursos são utilizados pelas unidades escolares para aquisição de materiais de escritório e limpeza, para pagamento de diárias, pagamento de tributos, tarifas, faturas de telefone, água, entre outros.
 

Quando o profissional ou aluno não deve ir para a escola?

De acordo com a Nota técnica conjunta elaborada pela Seduc e SES, não podem participar das atividades presenciais:
 
  • Aqueles que apresentem algum sintoma relacionado à Síndrome Gripal (SG), podendo ser um transmissor do vírus;
  • Quem estiver com quadro respiratório agudo, caracterizado por pelo menos dois sinais e sintomas: febre (mesmo que referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos;
  • Em crianças, além dos itens anteriores considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico;
  • Quem tiver sintoma de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que são: dispneia/desconforto respiratório ou pressão ou dor persistente no tórax ou saturação de O2 menor que 95% em ar ambiente ou coloração azulada (cianose) dos lábios ou rosto;
  • Profissionais e alunos assintomáticos, mas que estiveram em contato no ambiente familiar ou fora do ambiente escolar com alguém comprovadamente transmissor da Covid-19 ou está convivendo com um familiar com sintomas da doença.
 

Se um estudante chegar à escola com febre ou outro sintoma, ou apresentar sintoma durante a aula, qual é a providência que será adotada?

Todas as unidades escolares adquiriram termômetro digital e vão aferir a temperatura dos estudantes antes de ingressarem na unidade.
Se for constatado que o estudante está com febre, ou surgirem sintomas durante a aula, ele será encaminhado para uma ‘área de isolamento’. Todas as escolas já estabeleceram esta área de isolamento, que é apenas para permanência das crianças e adolescentes até a chegada dos pais ou responsáveis.

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