11/08/2021 às 08h10min - Atualizada em 11/08/2021 às 08h10min

Conab estima queda de 11% na produtividade de milho em MT

Principal motivo é o plantio fora da época ideal devido à seca que atrasou a semeadura e a colheita da soja. Estado é o principal produtor do cereal no país.

G1 MT
Colheita de milho em 2021 em Mato Grosso — Foto: Rafael D Marques/Secom-MT
A estimativa para a produção de milho em Mato Grosso voltou a ser de queda para a safra 2020/2021, segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estado é o principal produtor do cereal no país. O principal motivo para a redução é o plantio fora do período ideal, devido à seca que atrasou a semeadura e a colheita da soja.

A produtividade total de milho em Mato Grosso, considerando a 1ª e 2ª safras 2020/2021, está estimada em 5.713 quilos por hectare, contra 6.407 quilos por hectare em 2019/2020, queda de 10,8%. Em relação à produção, diminuiu de 34,9 milhões toneladas para 33,5 milhões de toneladas, queda de 4,1%. A área plantada, porém, cresceu de 5.455,6 mil hectares para 5.870,5 mil hectares (7,6%).

No milho de segunda safra, a expectativa é de produtividade média de 5.689 quilos por hectare, 11% menor que a registrada na temporada 2019/2020, de 6.392 quilos por hectare. Restam 12,1% de colheita para serem finalizados em agosto. O estado é o principal produtor do cereal no país.
Em todo o país, a produção total de milho deve chegar a 86,7 milhões de toneladas, sendo 24,9 milhões de toneladas na 1ª safra, 60,3 milhões de toneladas na 2ª e 1,4 milhão de toneladas na 3ª safra. Apenas para a 2ª safra do cereal, a queda na produtividade estimada é de 25,7%, uma previsão de 4.065 quilos por hectare.
A redução só não foi maior, conforme a Conab, porque os altos preços do grão impulsionaram um aumento de área plantada em 8,1%, chegando a 14,87 milhões de hectares. Além disso, Mato Grosso foi o estado produtor que menos registrou condições climáticas adversas durante o cultivo do cereal.

"O motivo dessa queda são fatores climáticos. Nós tivemos uma combinação de fatores: escassez hídrica e baixas temperaturas. No entanto, o problema dessa safra começa muito antes, começa lá no plantio da soja, que foi atrasado em decorrência da falta de chuvas. Aí também tivemos problemas na colheita da soja, que foi com muita água, com muita chuva. Isso atrasou a colheita e atrasou o plantio da segunda safra de milho", disse Sérgio De Zen, diretor de Politica Agrícola e Informações da Conab.

A maior parte da produção brasileira de milho, aproximadamente 70%, é feita na mesma área de produção de soja. Quando se atrasa o plantio da soja, fica atrasado o do milho também. Dessa forma, perde-se o correto momento de plantio e de colheita, deixando a safra mais suscetível aos efeitos climáticos, explicou De Zen.
O diretor de Política Agrícola e Informações da Conab também citou o impacto econômico da redução da safra desse cereal, que afeta a cadeia de produção de carne, leite e ovos.

"O prejuízo financeiro não é apenas os 22 milhões de sacas que deixamos de produzir. Porque o milho é transformado em proteínas. E com isso nós deixamos de produzir proteínas, gerar emprego. Então tem um efeito multiplicador. É difícil falar em valores monetários, em termos de emprego, em termos de geração de renda, ele tem um efeito bem maior que o valor bruto da produção de milho que deixamos de ter", explicou.
 

Soja

Em relação à soja, cuja colheita já está encerrada, a oleaginosa teve uma elevação de 11,1 milhões de toneladas na produção desta safra. Os números mantêm o Brasil o como maior produtor mundial, com uma colheita recorde de 135,9 milhões de toneladas. Desse total, Mato Grosso produziu 35,87 milhões de toneladas em 2020/2021. Em 2019/2020, foram 38,88 milhões. O estado teve aumento de área plantada de 2,9%: de 10.004,1 mil hectares para 10.294,2 mil hectares.
 

Algodão

Principal produtor do país, Mato Grosso segue com a colheita avançando, que chegou a cerca de 1/3 da área total, de 956,1 mil hectares, ao final de julho. Até o momento, as produtividades observadas estão abaixo da média alcançada em 2019/20, influenciadas pela escassez hídrica visualizada em parte do ciclo. Há também redução de área plantada e, com isso, a estimativa é de um resultado final 23,4% menor que da temporada anterior, devendo alcançar 3.922,9 mil toneladas de algodão em caroço ou 1.608,4 mil toneladas de algodão em pluma, conforme os dados da Conab.
 

Safra de grãos nacional

Os dados do 11º Levantamento da Safra de Grãos 2020/2021 divulgados nesta terça indicam que o governo federal cortou a estimativa para a safra de grãos de 2020/21, que, até julho, indicava a possibilidade de uma colheita recorde de 260,8 milhões de toneladas. A expectativa agora é que o Brasil colha 254 milhões de toneladas de grãos, volume 1,2% menor (3 milhões de toneladas) em relação à safra anterior.
A nova previsão representa ainda uma queda de 6,8 milhões de toneladas (-2,6%) comparada à estimativa feita em julho.

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